Iúna/ES: Síntese histórica

No ano de 1855, o alferes José Joaquim Ferreira Valle doou 42 alqueires de terra para a construção de uma capela dedicada a Nossa Senhora Mãe dos Homens e expansão do arraial que se formava às margens do Rio Pardo. Contudo, em 1858, Frei Bento di Gênova liderou a construção da capela, que foi inaugurada e dedicada a Nossa Senhora da Pureza. Em 1859, o arraial foi elevado a distrito de Vitória, como nome de Freguesia de São Pedro de Alcântara do Rio Pardo. Posteriormente, o distrito passou a pertencer ao município de Viana e, em 1867, foi anexado ao recém-criado Município de Cachoeiro de Itapemirim. Em 14 de julho de 1859, o povoado foi elevado à condição de paróquia; em 24 de outubro de 1890, obteve a emancipação de Cachoeiro de Itapemirim. O município foi criado em 11 de novembro de 1890 e instalado em 3 de março de 1891, com o nome de "Rio Pardo".9 O nome de "Iúna" seria adotado em 1943. Significa "águas pardas", em língua tupi.10

Com o crescimento da freguesia, Frei Bento di Gênova construiu a Capela e o Cemitério de São Miguel Archângelo, no qual foi sepultado no dia 2 de janeiro de 1862, pois falecera sentado na Pedra do Pecado, na Água Santa, no dia 1. No período compreendido entre 1865 e 1870, chegaram, à freguesia de São Pedro de Alcântara do Rio Pardo, diversas famílias de origem portuguesa, remanescentes da Guerra do Paraguai e que receberam, de Sua Majestade Imperial, dom Pedro II, sesmarias no "Sertão do Norte", como era conhecida a extensa região que compunha o distrito de Rio Pardo, abrangendo os territórios que hoje correspondem aos municípios de Castelo, Conceição de Castelo, Venda Nova do Imigrante, Muniz Freire, Ibatiba, Irupi, no Espírito Santo e Lajinha, Chalé, Ipanema, Conceição de Ipanema e Mutum, em Minas Gerais.

Dentre os remanescentes da Guerra do Paraguai, podemos citar: Vicente Antônio da Silveira Leite, Capitão João Ignácio de Almeida, Capitão Quincas Nunes, Tenente Ambrósio Leite, Capitão Francisco Antônio Rodrigues Justo. Ainda no século passado chegaram outras famílias de origem portuguesa, vindas de Minas Gerais: Ferreira Valle, Ferreira da Costa (Felisbino) Ferreira Viana (Laje), Mariano Antônio Pereira (Mariano/Ricarte), Osório Pereira e Osório de Mattos, Maximiniano José de Lima, Trindade, Almeida, Ribeiro de Almeida, Ribeiro Leite, Barbosa, Gonçalves, Castro, Barros, Florindo de Freitas, Machado, Goulart de Almeida, Roberto de Moraes, Gomes, Amorim, Ferreira de Almeida, Ferreira de Amorim (Tebas), Ferreira Rios, Ribeiro Leal, Bernardo, Faria, Teixeira, Fonseca, Oliveira, Souza (Flora).

Também se fixaram em Rio Pardo, no final do século XIX e início do século XX, famílias de outras nacionalidades: a família Lamy - de origem francesa; as famílias Hubner de Miranda, Emerick, Eller, Heringer, Von Randow - de origem alemã. Montenor, Rocen de Poncem - de origem suíça, e a partir da década de 1920, do século atual, os libaneses: Amim, P. Alcure, Fadlalah, Antônio (Mansur Amar), Chequer Bou-Habib, Tanure, Abikahir, Cade, Bechepeche.

Dentre as famílias italianas que imigraram em 1879, podemos citar: Amigo, Bazzarella, Canabarro, Carlomagno, Catalano, Chrispim, Conde, De Biase, Labanca, Lofêgo, Finamore, Galotti, Gioia, Madeira, Mastrotti, Miglioni, Oggioni, Pagani, Pevidor, Poncio, Rossi, Scardini, Scussulini, Vivacqua, Tiengo. E, a partir deste século os Coletta, Campagnaro, Salotto, Bertholini, Quarto, Cassini, Henriques (Juca Italiano), Prottes, Fardim, Tomazzi (Thomaz), Vimercati,Pollastrelli e Finotti.

Em 1879, foi construída a Igreja Matriz de Nossa Senhora Mãe dos Homens, criadas as escolas masculina e feminina da Vila e em 1881 foi instalado o correio. No dia 11 de junho de 1888 foi realizado, na Freguesia de São Pedro de Alcântara do Rio Pardo, o primeiro casamento civil da província do Espírito Santo, antes mesmo da Proclamação da República.

No dia 24 de outubro de 1890, os moradores de Rio Pardo decidiram pedir à Assembleia Constituinte a criação do município, visando ao crescimento sócio-econômico da extensa região. Com efeito, no dia 11 de novembro de 1890, quando da promulgação da primeira Constituição Republicana do estado do Espírito Santo, os Deputados Constituintes aprovaram o desmembramento do distrito de São Pedro de Alcântara do Rio Pardo, então pertencente ao Município de Cachoeiro de Itapemirim, criando o Município da Villa do Rio Pardo, com sede na antiga Freguesia de São Pedro de Alcântara do Rio Pardo e tendo como distritos: Santa Cruz e São Manoel do Mutum.

Em consequência do desmembramento do Município de Cachoeiro de Itapemirim, no dia 3 de março de 1891, foi instalado o primeiro Conselho de Intendência Municipal, composto pelos cidadãos: Wenceslau Carvalho de Oliveira, Tenente Coronel Gabriel Norberto da Silva, Capitão João Osório Pereira, José Maria de Amigo e Antônio Carlos Rodrigues. A Comarca do Rio Pardo foi criada em 1890, teve como pioneiros os Magistrados: Cassiano Cardoso Castello, Augusto Afonso Botelho, Epaminondas Amaral. Na Promotoria, os pioneiros foram Waldemar Pereira (depois Juiz e Desembargador), Eurípedes Queiroz do Valle (depois Juiz e Desembargador).

O primeiro estafeta de Rio Pardo foi o Francisco Augusto de Castro (Chico Augusto), que, montado em sua mula, levava as malas do correio até Muniz Freire, de onde seguiam para Castelo e, daí, de trem, para Cachoeiro de Vitória. Chico Augusto trazia as malas destinadas a Rio Pardo e fazia a distribuição para os destinatários. O primeiro prefeito foi José Antônio Lofêgo, que tomou posse do cargo em 1914, porém, como já era Intendente, administrou o município de 1905 a 1920. Foi o criador da Banda de Música Carlos Gomes, do teatro, do primeiro Jornal "O Boatto" iluminou a rua principal da Vila com lampiões a querosene e construiu o prédio da Prefeitura, inaugurado em 1914 e que hoje abriga a Câmara Municipal, o Sub-Núcleo/Departamento Municipal de Educação e o Museu Histórico da Casa da Cultura.

No ano de 1917, foi fundado o primeiro time de futebol do município, denominado ainda hoje: "Rio Pardo Futebol Clube", com uniforme vermelho e branco. E ficando extinto após muitos anos e ainda Iúna ficou marcada com o famoso bingo vermelho e branco que atraia pessoas de várias cidades do Espírito Santo e Minas Gerais, mas o Rio Pardo Futebol Clube, não resistiu e ficou apenas nas lembranças daqueles que um dia fizeram parte de sua história.

Em 1922, chegaram os primeiros automóveis na antiga Vila do Rio Pardo. Foram recebidos com festa. Integrava a comitiva o coronel Leôncio Vieira de Rezende e outras autoridades. Durante a administração do jovem prefeito Antônio Lofêgo, em 1924, foi construída a primeira usina que gerou a eletricidade para toda a Vila do Rio Pardo, pioneira no sul do Estado. Em 1930 aconteceu a Revolução, sendo deposto o então prefeito Alfredo Hybner e fechada a Câmara, presidida pelo Coronel Pedro Scardini.

A professora Terpsichore Felisberto Lacerda (dona Terpinha) agrupando as escolas feminina e masculina da Vila do Rio Pardo, fundou o
 Grupo Escolar "Henrique Coutinho", do qual foi a primeira Diretora, idealizadora e construtora do prédio, inaugurado dois anos depois e em funcionamento até os dias de hoje. Em 1943, existiam, no Brasil, três municípios com a denominação de "Rio Pardo": nos estados do Espírito Santo, em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul. Em virtude de lei federal, a duplicidade de nomes foi proibida. O Rio Pardo do Rio Grande do Sul, por ser mais antigo, permaneceu com o nome inalterado. O mineiro passou a denominar-se "Rio Pardo de Minas" e o capixaba foi denominado Iúna, numa homenagem aos primitivos habitantes, banidos de seu território, pois no idioma tupi, lúna significa "águas pardas".

A nova câmara municipal começou a ser construída na rua principal da cidade em um novo prédio moderno e amplo, logo depois de 2000.

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